segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Manuel António Pina (1943-2012)
19 Outubro, 2012

[AOS MEUS LIVROS]
Chamaram-vos tudo, interessantes, pequenos, grandes,
ou apenas se calaram, ou fecharam os longos ouvidos
à vossa inútil voz passada
em sujos espelhos buscando
o rosto e as lágrimas que (eu é que sei!)
me pertenciam, pois era eu quem chorava.
Um bancário calculava
que tínheis curto saldo
de metáforas; e feitas as contas
(porque os tempos iam para contas)
a questão era outra e ainda menos numerosa
(e seguramente, aliás, em prosa).
Agora, passando ainda para sempre,
olhais-me impacientemente;
como poderíamos, vós e eu, escapar
sem de novo o trair, a esse olhar?
Levai-me então pela mão, como nos levam
os filhos pela mão: sem que se apercebam.
Partiram todos, os salões onde ecoavam
ainda há pouco os risos dos convidados
estão vazios; como vós agora, meus livros:
papéis pelo chão, restos, confusos sentidos.
E só nós sabemos
que morremos sozinhos.
(Ao menos escaparemos
à piedade dos vizinhos)
[Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal, Assírio & Alvim, 2011]
Fotografia de Pedro Loureiro
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
sábado, 19 de maio de 2012
Invisível para os olhos
A Oficina começou pois com o visionamento de um Powerpoint sobre o inventor da escrita
em Braille: Louis Braille. Através deste PowerPoint
os alunos e alunas tiveram a oportunidade de conhecer a história do menino que
ficou conhecido por trazer a luz ao mundo da escuridão.
Num segundo momento, os alunos escutaram atentamente a
leitura de alguns dados sobre a vida deste génio feita pela nossa convidada,
podendo aperceber-se da velocidade com que os seus dedos liam pelo papel. Parece
inacreditável mas um cego
experiente pode ler duzentas palavras por minuto.
A seguir veio um pequeno jogo de
adivinhação: todos de olhos vendados, e por entre risadinhas, tocaram em objetos
e tentaram adivinhar em que consistiam, uma tarefa que se revelou menos fácil
do que parecia inicialmente.
Esta maravilhosa sessão terminou com a leitura
de um excerto de O
Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry
que os alunos escutaram sem pestanejar.
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